A capela do Hospital de Clínicas Dom Dadeus Grings
Capela é uma igreja destinada à devoção particular. Tem seu centro no tabernáculo, onde se guarda o Santíssimo Sacramento, e é ornada de algumas imagens, modelos e protetores dos devotos. Sua ereção requer a autorização do bispo local, mediante um ofício, solicitando este benefício. Reveste-se, por isso, de oficialidade.
O Hospital de Clínicas de Porto Alegre obteve, há mais de 30 anos, o privilégio de uma capela. Naquela ocasião, ofereceu um recinto apropriado para favorecer a devoção de seus usuários. Em junho, correu voz de que a direção do hospital teria mandado desativar este lugar sagrado, privando-o da característica cristã. Até hoje, porém, a direção não fez chegar um documento oficial neste sentido. Portanto fica tudo apenas na notícia jornalística. A única pessoa competente para desativar a capela católica, erigida sob sua direção, a pedido da direção do hospital de então, é o arcebispo.
Se a direção tivesse notificado a Cúria de que não há mais católicos interessados neste recinto sagrado, concedido há mais de 30 anos, e quisesse disponibilizá-lo para outra religião, com mais adeptos, não haveria reação. Mas privar os católicos de sua capela, oficialmente credenciada há tanto tempo, para cedê-la a uma religião sem rosto, que não se quer revelar publicamente, soa como desaforo. A população porto-alegrense criou um laço de afeto por aquele lugar. Despojá-la tão arbitrariamente só pode causar mágoa.
A Constituição garante liberdade religiosa. Também para os católicos. Diálogo é reconhecer a identidade de cada religião, na proporção de sua população e de sua influência na cultura brasileira. O Hospital Moinhos de Vento, de propriedade luterana, por exemplo, acolheu, com muito carinho, em sua capela, a presença da eucaristia para poder ser levada aos enfermos católicos ali baixados. Isto é gesto de hospitalidade ecumênica!
O acordo entre o Brasil e a Santa Sé, assinado no dia 13 de novembro de 2008, pelo presidente do Brasil, Luiz Inácio da Silva, e pelo Papa Bento XVI, em Roma, e ratificado em 2009 pelo Congresso Nacional, plenamente dentro dos princípios da Constituição brasileira, garante à Igreja Católica, no artigo 8, o direito de assistência espiritual a seus fieis internados em estabelecimentos de saúde, assistência social, educação e em penitenciárias. Pelo art. 7, proporciona proteção aos lugares de culto, assegurando que não demolirá nem ocupará edifício, dependência ou objeto de culto católico. No art. 14, empenha-se pela destinação de espaços físicos para fins religiosos. Este acordo agora foi desrespeitado!
O que mais dói no caso do Hospital de Clínicas não é o desrespeito para com a Igreja Católica, nem a exclusão das imagens, mas a expulsão de Cristo, presente no sacrário, do seu recinto. Isto não pode deixar ninguém insensível! Notícia da edição impressa do JC de 01/07/2010
Não se trata de privilégios para a Igreja, mas de um reconhecimento da obra benemérita que realiza em prol dos cidadãos. Sabe-se que a religião constitui fator fundamental de uma boa convivência humana, de saúde e de bem-estar social. O que se concede à Igreja Católica, pelo acordo, não redunda em prejuízo para as demais confissões religiosas. Não se pretende fazer prosélitos, mas atender adequadamente aos próprios fiéis, que são cidadãos brasileiros.O fato de substituir, no hospital ou em qualquer repartição pública, o Cristianismo, que plasmou nossa nacionalidade, com seus símbolos, por uma religião oriental, conhecida por Nova Era - em inglês, New Age - não é nem democrático nem coerente. Na verdade, não se trata de conceder liberdade religiosa, que não está em questão, mas de privilegiar uma religião praticamente inexistente entre nós e que em nada influiu nossa cultura. Portanto, se a atual direção do hospital julgasse inoportuna a permanência da capela, não lhe caberia mandar aos seus funcionários desativá-la. Deveria dirigir um ofício à Mitra Arquidiocesana expondo suas razões para um eventual diálogo. É o que não foi feito. A capela é de competência do arcebispo. Mandar descaracterizá-la, tirando-lhe sua característica própria, sem consultar a Mitra, constitui uma afronta.
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